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📓Capítulo 2

O tempo em Elysius parecia correr de forma diferente. Enquanto os viajantes e seus seguidores exploravam aquele reino celestial, uma sensação de paz envolvia a todos, como a calmaria que precede a tempestade. Guiados por inscrições antigas encontradas sob um templo em ruínas, Kael, Thalon e Darian seguiram um novo caminho oculto sob as profundezas da cidade. Era um antigo labirinto cerimonial, construído segundo os anciãos para guardar um segredo que não deveria jamais ser revelado. Mas algo chamava por eles. Uma força desconhecida… ou talvez um destino inevitável. No centro do labirinto, encontraram um relicário de cristal pulsando com luz dourada. Quando Darian estendeu a mão para tocá-lo, uma explosão de energia varreu a câmara e, naquele instante, uma verdade veio à tona, a Armadura Éter não era o ápice… era um selo. A reluzente armadura que os havia encantado na superfície estava conectada diretamente àquele relicário. E ao romperem o equilíbrio, o que estava contido ali começava a despertar. Lentamente, o chão tremeu. Sons de engrenagens ecoaram pelas paredes do labirinto. E das sombras, os olhos da criatura esquecida se abriram. Ela não era feita apenas de carne era forjada com partes de luz e metal sagrado, como se os próprios deuses a tivessem aprisionado para impedir seu retorno. Uma fusão de fera e máquina, moldada pela força de eras passadas. Os viajantes recuaram. Nem mesmo os poderes da Armadura Éter pareciam completos frente àquilo. E antes que pudessem reagir, o relicário brilhou mais uma vez e desapareceu. No lugar dele, uma pequena peça dourada, semelhante a uma engrenagem angelical, permaneceu no chão com inscrições desconhecidas e um brilho ainda mais intenso do que a armadura que carregavam. Thalon a segurou. E naquele momento, ele entendeu que a Éter era apenas o início. Uma nova força se escondia por trás daquilo uma linhagem de equipamentos ancestrais mais radiantes, mais letais… mais divinos. Nos dias seguintes, a cidade de Elysius começou a reagir. Sinais foram ativados por toda parte. As criaturas que antes eram passivas agora despertavam com novas forças, derrubando qualquer um que se aproximasse com intenções hostis. Mas com elas veio algo novo. Fragmentos sagrados, pedaços de runas, escamas encantadas, penas brilhantes, essências espectrais cada mob derrotado agora podia deixar para trás um resquício de poder em forma de drops especiais. Esses itens misteriosos, quando reunidos, podiam ser levados até o Mercador Esquecido, uma figura encapuzada que surgiu próximo à Praça Celestial de Elysius. Ele não falava muito, mas seus olhos pareciam ter visto o nascimento e a queda de reinos inteiros. Em uma noite silenciosa, Kael se aproximou dele com uma sacola cheia dos fragmentos brilhantes. O mercador levantou lentamente a cabeça e falou com voz rouca, mas firme, como o eco de alguém que viu séculos passarem diante dos olhos: “Ah… então vocês chegaram até aqui. Sinto o cheiro da Éter em suas vestes… A armadura ainda brilha, mas o selo já foi quebrado, não é?” Ele estendeu a mão, revelando fragmentos de criaturas caídas, ainda pulsando com energia antiga. “Estas oferendas… são restos de um tempo que não deveria mais existir. Esses drops… são memórias. Memórias dos que caíram lutando… ou dos que foram apagados pelo esquecimento.” Seus olhos brilharam brevemente, e sua expressão tornou-se mais sombria. “Vocês acham que encontraram o poder, mas estão apenas na entrada. O verdadeiro ouro… ainda dorme sob os salões onde nem mesmo os deuses ousam caminhar.” Ele soltou uma risada baixa, quase como um sussurro de aviso. “Trocamos? Não por moedas, nem por glória, trocamos por escolhas. E cada escolha carrega um preço.” Então se calou, como se estivesse esperando que os viajantes descobrissem por si só o que ainda os aguardava. Algo mais se movia nas profundezas. E se a Éter foi feita para selar algo… o que será que virá para despertá-lo completamente?

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