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📓Capítulo 3

Os dias em Elysius tornaram-se cada vez mais inquietantes. Desde o despertar no coração do labirinto, a cidade parecia carregar uma energia estranha, como se forças antigas estivessem disputando o controle. Kael, Thalon e Darian se dedicavam a investigar a peça dourada encontrada no relicário, mas as respostas continuavam evasivas. Foi então que, durante uma patrulha nos penhascos a leste, avistaram um fenômeno improvável: uma fissura no céu, de onde jorrava uma luz rubra misturada com faíscas arroxeadas. Daquela abertura surgiu a silhueta de um dragão colossal, diferente de qualquer outro. Suas escamas eram negras como obsidiana, e entre cada placa corria um brilho roxo profundo, como um veneno vivo que pulsava sob sua pele. Sua presença era acompanhada por um rugido que parecia ressoar no próprio coração da terra. O dragão não atacou a cidade. Em vez disso, sobrevoou Elysius como se examinasse suas muralhas e desapareceu rumo às montanhas negras além do horizonte. No mesmo dia, um viajante encapuzado chegou à praça central trazendo um baú de aço. Dentro dele, repousava uma armadura feita com fragmentos de um dragão ancestral, com placas negras e detalhes roxos cintilantes, como se carregasse a própria essência do crepúsculo. Ele afirmou que a Armadura do Dragão era única, forjada para aqueles capazes de suportar o peso de seu poder. Vestir tal peça não era apenas um privilégio, mas um juramento de que a força adquirida seria usada para proteger Elysius… ou destruí-la. A notícia se espalhou rapidamente, e o Mercador Esquecido, ao ouvir sobre a armadura, murmurou com um sorriso enigmático que não é todo dragão que nasce para ser caçado… alguns nascem para chamar algo ainda maior. Enquanto isso, viajantes relatavam criaturas cada vez mais agressivas nas florestas e planícies próximas, soltando estranhos fragmentos sombrios ao serem derrotadas. Esses fragmentos, diziam, podiam ser trocados com o mercador por artefatos raros e poderosos. Nas noites seguintes, o ar em Elysius parecia mais pesado. Alguns acreditavam que o dragão era um guardião, outros que era um arauto. E assim, sem respostas claras, restava apenas a inquietante sensação de que o verdadeiro motivo de sua aparição ainda estava por vir.

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