📓Capítulo 1
Depois de deixarem Elysius para trás, os guerreiros e seus seguidores atravessaram o véu da luz que separava os reinos․ Do outro lado, encontraram uma terra fria e silenciosa envolta por uma penumbra constante․ O solo era estéril, as árvores retorcidas, e o vento que soprava carregava o som distante de lamentos esquecidos․ Esse novo domínio era chamado Nharos, um reino onde o sol não nascia, a escuridão tomava conta e o tempo parecia ter parado․ À primeira vista, era um lugar calmo, sombrio e sem vida mas havia algo naquela escuridão que respirava, que observava, que esperava․․․ Nos primeiros dias, Kael, Thalon e Darian exploraram as ruínas espalhadas por Nharos e encontraram inscrições que falavam de antigos rituais e sacrifícios․ Diziam que, em tempos remotos, o reino fora o berço de uma civilização poderosa que buscou dominar a própria morte․ Seus reis e magos haviam mergulhado tão fundo nas artes profanas que acabaram rompendo o equilíbrio entre o mundo dos vivos e o dos mortos․ O resultado foi a ruína total e o nascimento do domínio onde a escuridão nunca cessava․ O reino era escuro․ Ao longe, sobre o oceano, podia-se observar um vulcão de cume adormecido, cujas chamas antigas ainda iluminavam o horizonte em tons rubros․ No centro, erguia-se um palácio, o palco dos antigos, agora tomado pelo silêncio e pela poeira dos séculos․ Nas montanhas, uma fortaleza esquecida servia de prisão para os bárbaros, e o som de correntes ecoava nas profundezas, como se algo ali ainda aguardasse julgamento․ No céu, em meio à escuridão, um enorme dragão sobrevoava Nharos, suas asas rasgando o breu como um presságio․ Suas espinhas tremeram ao sentirem o peso de todas as trevas que habitavam aquele lugar․ Uma noite sangrenta assolava aquelas terras, e as criaturas horripilantes que nela nasciam espalhavam pavor por onde passavam, fazendo até os mais valentes guerreiros perderem a esperança․ Os viajantes logo perceberam que Nharos não era apenas um lugar, era um aviso․ Um reflexo sombrio de todos os reinos que haviam existido antes․ E no coração dessa escuridão, escondido entre as ruínas de templos desfeitos, pulsava um poder antigo, esquecido… mas que começava a se mover novamente․ Enquanto o grupo tentava entender a origem desse novo mal, os ventos frios trouxeram consigo rumores sobre dois nomes que ecoavam entre os sobreviventes locais: Carniçal e Karuel, dois terrores lendários que aterrorizavam aquele reino no passado․ O silêncio de Nharos era uma ilusão, o verdadeiro horror ainda estava para se revelar․․․
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