📓Capítulo 4
Quando as chamas da Noite Sangrenta enfim se apagaram, o mundo permaneceu mergulhado em um silêncio pesado․ As terras de Nharos estavam cobertas por cinzas e ossos, e os poucos sobreviventes vagavam entre ruínas, temendo até o som do próprio passo․ O reino, outrora próspero, agora era uma lembrança de horror e perda․ Parecia não haver mais salvação․ Até que um grupo de guerreiros, liderados por Kael e Thalon, decidiram que ainda restava uma chance․ Guiados por antigos manuscritos e visões enviadas pelos deuses esquecidos, os guerreiros partiram em uma jornada além das fronteiras conhecidas, rumo a terras onde o sol mal tocava o chão․ Eles buscavam algo que, segundo as lendas, poderia conter as trevas: uma magia ancestral, tão poderosa que havia sido selada eras atrás para nunca mais ser usada․ Diziam que essa força era capaz de purificar o mal․ Enquanto os heróis atravessavam desertos amaldiçoados e montanhas cobertas por névoa, o reino continuava sua luta desesperada․ Os servos do Carniçal e de Karuel se multiplicavam nas sombras, marchando em silêncio, com olhos vazios e sedentos de sangue․ Nenhuma muralha era capaz de detê-los․ Nharos caía, pouco a pouco, sob o domínio das hordas de zumbis․ Foi então que Darian se juntou aos forjadores do reino em segredo nas profundezas de uma antiga forja encantada․ Ali, sob o eco de martelos e cânticos proibidos, misturaram ferro celestial, fragmentos de luz e o poder da magia antiga que ainda pulsava na terra․ Da união de todas as forças humanas, divinas e arcanas nasceu a Armadura do Apocalipse, uma criação que desafiava o próprio conceito de vida e morte․ Sua superfície reluzia com uma energia acobreada․ Era uma armadura forjada para resistir ao toque da corrupção e enfrentar as legiões do inferno․ Dizia-se que apenas um guerreiro digno, de alma pura e coração imaculado, poderia usá-la sem ser consumido por seu poder․ Durante dias, os ferreiros aguardaram o retorno dos heróis, temendo que jamais voltassem․ O céu permanecia escuro, e a lua, agora sem cor, parecia chorar pelo mundo perdido․ Mas então, numa madrugada fria e silenciosa, o impossível aconteceu․․․ No horizonte distante, uma luz surgiu intensa e pura, cortando a escuridão como uma lâmina divina․ A cada segundo, ela se aproximava, e com ela vinham figuras cobertas por mantos rasgados e armas banhadas em brilho celestial․ Eram os guerreiros que haviam partido․ Ao avistá-los, todos pararam․ Os ventos cessaram, o medo se dissipou por um breve instante, e o coração de cada alma perdida voltou a bater com esperança․ A luz que traziam era diferente de qualquer outra․ Era viva, poderosa, quase divina․ E naquele momento, sob o céu sombrio de Nharos, todos sabiam que o fim ainda não havia chegado․ As trevas se enfraqueciam e a batalha pela salvação estava prestes a começar․
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