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📓Capítulo 3

Durante os dias que se seguiram à libertação dos antigos, uma nova calamidade caiu sobre Nharos․ O céu se tingiu de vermelho, e a lua, coberta por véus de sangue, iluminava um mundo que parecia à beira do fim․ As sombras se tornaram vivas, e das fendas da terra emergiram criaturas indescritíveis, criadas do medo e da corrupção․ Era a chamada Noite Sangrenta, um período em que o véu entre os mundos se rompia e os mortos caminhavam novamente entre os vivos․ Por onde passavam, o frio aumentava e as chamas se apagavam․ Nenhuma lâmpada, magia ou fogo parecia resistir ao toque daquela escuridão․ No meio desse caos, surgiram novas relíquias que pareciam ter nascido do próprio inferno․ Forjadas do medo e da morte durante as Noites Sangrentas, as Armaduras Macabras carregavam o terror que jamais deveria ter sido libertado․ Feitas de metal negro e adornadas por símbolos profanos, traziam consigo o semblante distorcido de uma abóbora flamejante, símbolo do horror que assolava aquelas noites․ Guerrreiros que a vestiam diziam sentir o calor do inferno pulsar sob o peito, como se o fogo das almas perdidas tentasse escapar por dentro da couraça e uma risada macabra ecoava dela․ Muitos temiam usá-las, pois diziam que o poder nelas contido vinha com um preço que ninguém ousava cobrar․ Pouco tempo depois, entre os restos das fortalezas destruídas, apareceu uma nova criação: o Set Profano․ Sua aparência remetia à própria morte com caveiras, garras e ossos retorcidos que moldavam suas placas, e um brilho púrpura parecia se mover sob o metal como um coração sombrio ainda batendo․ Era dito que essas armaduras eram abençoadas pelas sombras e amaldiçoadas pela luz, feitas apenas para aqueles que aceitavam servir às trevas em troca de poder․ Os que vestiam o conjunto Profano sentiam o peso do mundo sobre os ombros e a constante presença de olhos invisíveis observando-os de todos os lados․ E então veio o evento que marcaria para sempre aquele reino Leilão dos Contêineres Sombrio․ O mercado de Nharos, iluminado por tochas azuis e fumaça densa, tornou-se palco de um espetáculo que atraía aventureiros, mercadores e curiosos de todos os cantos․ Containers com baús que ninguém sabia o que havia dentro, poderiam ser artefatos poderosos, maldições antigas, riquezas sem fim ou simplesmente poeira e ossos․ Os lances subiam a cada minuto, e o som das marteladas ecoava pelas paredes como o bater de um coração inquieto․ Alguns saíam com fortuna, outros desapareciam antes mesmo de abrir o que haviam comprado․ Mas havia algo diferente naquela noite․ Quando o último contêiner foi aberto, uma energia sombria percorreu o chão de pedra, e por um breve instante, todos os sons cessaram․ A chama das tochas tremulous e veio uma sensação de que algo estava observando, algo que não deveria estar ali․ Os olhares se cruzaram, e o silêncio foi quebrado apenas por um sussurro distante vindo do horizonte, carregado pelo vento frio de Nharos․ A Noite Sangrenta começava a se dissipar, mas seu rastro de medo e loucura permaneceria gravado na terra e na alma dos que sobreviveram․ As trevas, embora recuassem, não haviam sido destruídas․ E enquanto os guerreiros observavam as últimas luzes da lua carmesim desapareceram no horizonte, sabiam que aquilo não era o fim… apenas a calmaria antes de algo ainda maior․

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