Page cover

📓Capítulo 2

Os ventos de Nharos sopravam lentos e carregados de cinzas, e o silêncio que pairava sobre o reino era o tipo de calma que antecede o caos․ Durante uma expedição nas ruínas ao norte, um grupo de guerreiros encontrou algo inesperado: uma urna antiga, enterrada sob pedras cobertas de musgo e ossos fossilizados․ As inscrições na superfície eram indecifráveis, mas o metal exalava uma energia pesada e densa, como se algo aprisionado ali dentro tentasse respirar․ Kael, guiado pela curiosidade e pelo instinto, decidiu abri-la․ No instante em que a tampa se ergueu, um sopro gélido e pútrido percorreu o ar e o chão estremeceu․ Fragmentos sombrios escaparam da urna e se espalharam em direções opostas, dois fragmentos, distintos, mas igualmente aterradores․ Um deles ardia em um vermelho intenso, pulsando como brasas vivas, enquanto o outro exalava uma fumaça esverdeada e fria, com o cheiro da morte․ Eles haviam libertado uma maldição antiga, selada ali há séculos․ E junto dela, dois horrores esquecidos retornaram à existência: Carniçal, o Necromante Amaldiçoado, e Karuel, a Rainha Vulcânica․ O Carniçal emergiu das profundezas, encontrando refúgio em uma masmorra esculpida no crânio fossilizado de uma criatura colossal, tão antiga que seu nome já havia se perdido nas eras․ Seus corredores eram tomados por fungos, ossos e umidade, onde servos zumbis marchavam eternamente, sem descanso nem consciência․ A cada dia, três vezes, o chão tremia com o rugido do Carniçal, e sua presença trazia a decomposição․ Dizia-se que suas lâminas podiam reduzir armaduras a pó, e que os mais bravos que o derrotassem poderiam encontrar seu Crânio ou uma Runa antiga, artefatos que continham parte de sua essência necromântica․ Do outro lado do reino, em meio ao oceano escuro e distante, o vulcão outrora adormecido voltou a despertar․ Dele surgiu Karuel, a Rainha Vulcânica, uma criatura feita de fogo e ódio, cujo rugido rachava o próprio céu․ Sua arena, localizada no coração do vulcão, se tornou palco de batalhas infernais, onde guerreiros testavam seus limites enfrentando não só a criatura, mas também os bárbaros que habitavam as encostas, sedentos por sangue e glória․ Quando derrotada, Karuel podia deixar para trás seu Crânio Flamejante e o Coração Ardente, relíquias cobiçadas que pareciam pulsar com vida própria․ Mas dessa vez, algo havia mudado․ Os dois antigos senhores da destruição não estavam mais presos a Nharos․ A maldição da urna os ligara aos guerreiros que a abriram, e onde quer que eles fossem, as sombras dos dois os seguiriam para atormentar․ O Carniçal e Karuel se tornaram ecos eternos, destinados a renascer em qualquer mundo em que os aventureiros ousassem pisar․ A maldição havia atravessado os portões do tempo e agora, a escuridão não tinha mais fronteiras e a luta não teria fim․ Em meio a esse terror renascido, o Mercado Negro voltou a prosperar․ No subterrâneo de Nharos, o Mercador Esquecido oferecia trocas em meio a sombras e velas trêmulas․ Ele aceitava fragmentos, corações e crânios em troca de poder․ Diziam que ninguém saía de lá com a mesma alma com que entrou․ O ar era pesado e cada passo ecoava com sussurros que pareciam dizer nomes esquecidos․ O Mercador, sentado entre as relíquias, repetia em voz baixa: “Tudo o que é libertado… sempre cobra seu preço․”

Last updated